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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Biomassa Energia Alternativa



Biomassa é um material constituído por substâncias de origem orgânica (vegetal, animal e microrganismos). Plantas, animais e seus derivados são biomassa. A utilização como combustível pode ser feita a partir de sua forma bruta, como madeira, produtos e resíduos agrícolas, resíduos florestais, resíduos pecuários, excrementos de animais e lixo. Ao contrário das fontes fósseis de energia, como o petróleo e o carvão mineral, a biomassa é renovável em curto intervalo de tempo.

A renovação da biomassa ocorre através do ciclo do carbono, ou seja, a decomposição ou a queima de matéria orgânica ou seus derivados provoca a liberação de CO2 na atmosfera. As plantas, através da fotossíntese, transformam o CO2 e água em hidratos de carbono, liberando oxigênio. Dessa forma, o uso adequado da biomassa não altera a composição média da atmosfera ao longo do tempo.

Uma das primeiras utilizações da biomassa pelo homem para a obtenção de energia foi o uso do fogo. A madeira foi por muito tempo a principal fonte energética utilizada pelo homem, ao lado de óleos vegetais e animais, em menor escala. A Revolução Industrial marcou o auge da importância do consumo da biomassa, com o uso de lenha na indústria siderúrgica, além de sua aplicação nos transportes.

De acordo com o Banco Mundial, 50% a 60% da energia nos países em desenvolvimento vêm da biomassa, e metade da população mundial cozinha com madeira. A geração de energia por queima da madeira cresceu de 200 megawatts em 1980 para 7.800 megawatts atualmente. No Brasil, o principal uso é a fermentação e a destilação da cana-de-açúcar para a produção de etanol - um biocombustível.

Alguns empreendimentos brasileiros que marcaram o uso da biomassa ocorreram no setor de transportes. Dos anos de 1920 até os primeiros anos da década seguinte, período da crise decorrente da Primeira Guerra Mundial, compostos de álcool, éter etílico e óleo de mamona foram produzidos como substitutos da gasolina, com relativo sucesso.

Em 1931, a mistura do álcool na gasolina já permitia ao país uma melhora nos rendimentos dos motores de explosão de forma segura e limpa, evitando o uso de perigosos aditivos tóxicos, como o chumbo tetraetílico, como antidetonantes da gasolina.

O programa Proálcool, implantado na década de 70, marcou a opção do álcool carburante como alternativa ao uso da gasolina. Apesar dos problemas enfrentados, principalmente nos anos 90, o programa sobrevive atualmente, em especial com a recente oferta dos carros fabricados com tecnologia dos motores bicombustível. Nossa gasolina é uma mistura contendo de 20 a 25% de álcool e a tecnologia de produção do carro a álcool atinge níveis de excelência.

Além disso, a experiência nacional não se limita ao setor de transportes. O setor de energia elétrica tem sido beneficiado com a injeção de energia gerada em usinas de álcool e açúcar, a partir da queima de bagaço e palha da cana.

Outros resíduos, como palha de arroz ou serragem de madeira, alimentam algumas termelétricas. O vinhoto, resíduo do caldo de cana, retirado na fase de decantação, antes despejado nos rios, vem sendo agora reaproveitado como adubo em algumas propriedades.

Na siderurgia, experiências anteriores mostraram ser possível a utilização do carvão vegetal de madeira plantada para a produção do aço, ou seja, a utilização de florestas energéticas sustentáveis.

Biodiesel

As crises de abastecimento de petróleo tornam importante a utilização de derivados da biomassa, como álcool, gás de madeira, biogás e óleos vegetais, nos motores de combustão. Atualmente, o custo alto do petróleo e de outras fontes de energia, assim como as pressões pela defesa do meio ambiente, vêm transformando o biodiesel em uma grande saída para a substituição de combustíveis fósseis.

O biodiesel é um combustível que pode ser produzido partir de óleos vegetais, gorduras animais e até sobras de óleos de frituras. Atualmente, óleos orgânicos são misturados ao diesel em proporções variadas. Um óleo B2, por exemplo, indica que há 2% de biodiesel para 98% de diesel fóssil.

Estudos realizados nos Estados Unidos revelam que um óleo B100, ou seja, totalmente composto por biodiesel, permite reduzir em 48% as emissões de monóxido de carbono dos motores de veículos, quando comparado com o diesel convencional. Fora isso, há a redução de 47% na emissão de partículas inaláveis e quase a eliminação das emissões de enxofre, muito prejudiciais à saúde. Tudo isso com uma perda desprezível da potência dos motores.

A produção americana de biodiesel, que era quase insignificante em 1999, em 2010 a produção foi para 7,6 bilhões de litros por ano, o que representaria 8% da demanda doméstica por óleo diesel.

Impactos ambientais

No Brasil, a produção de biodiesel ainda ocorre em pequena escala, embora seja uma das grandes apostas na corrida pela auto-suficiência energética. O país conta com grandes áreas agricultáveis e uma combinação entre o cultivo de oleaginosas, como a soja, e a produção de álcool etanol, ambos usados na reação que permite produzir o biodiesel. Atualmente o Brasil conta com mais de 40 indústrias que produzem biodiesel e vários projetos de novas usinas em andamento. A expectativa é que o país seja capaz de produzir 1,12 bilhão de litros de biodiesel por ano.

Apesar de tantas vantagens, a utilização da biomassa em larga escala requer cuidados para que seu uso descontrolado e sem planejamento não traga impactos ambientais preocupantes, como a destruição de fauna e flora com extinção de espécies; contaminação do solo e mananciais de água por uso de adubos e defensivos com manejo inadequado; formação de desertos pelo corte não planejado ou descontrolado de árvores; destruição do solo pela erosão; poluição da própria queima da biomassa, como a emissão de gases tóxicos e desprendimento de consideráveis quantidades de calor, entre outros. Por isso, deve-se sempre levar em conta que o respeito à diversidade e a preocupação ambiental devem reger todo e qualquer projeto de utilização de biomassa.

As novas fontes de energia talvez não sejam ainda capazes de substituir totalmente as fontes mais tradicionalmente utilizadas, mas representam uma saída econômica significativa, que certamente poderá contribuir para evitar o esgotamento das fontes de energia não-renováveis.

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